Síndrome de Irlen: saiba o que é, suas causas, diagnóstico e tratamento


Por Ângela Márcia Machado 03.07.17 17h56 - atualizada 27.07.17 20h15
  • Síndrome de Irlen: saiba o que  é, suas causas, diagnóstico e tratamento Além das intervenções psicopedagógicas, transparências sobre o texto ajudam no tratamento (Foto: Reprodução)

Algumas crianças passam por vários especialistas, devido ao seu baixo rendimento escolar ou problemas com a leitura e a escrita. Às vezes, os resultados são negativos para Dislexia, TDAH, entre outras, mas também pode ser sintoma de Síndrome de Irlen, pouco conhecida no Brasil, mas que já é uma realidade presente no ambiente escolar.

Descoberta

Foi descoberta em 1987 nos Estados Unidos através dos estudos da Dra. Helen Irlen. É vista como uma dificuldade relacionada à manutenção da atenção, compreensão e memorização, e à atividade ocular durante a leitura, ocasionando déficit de aprendizado. A Síndrome de Irlen afeta pessoas de todas as idades, inclusive pessoas com inteligência normal ou superior à média e está relacionada à maneira como as informações chegam ao cérebro.

Essa Síndrome condiz com uma distorção na percepção visual, e apesar do centro da visão estar em foco, apresentando-se na maioria das vezes no exame oftalmológico de rotina AV 20/20, ou seja, sem alterações, essa síndrome faz com que o processamento cerebral das informações que chegam através da visão fique distorcido e embaçado, causando desconforto durante a leitura, escrita e outras atividades rotineiras.

Sabe-se que é através dos cinco sentidos que conhecemos o mundo, e é a partir da visão que além de podermos ver, também percebemos e codificamos os estímulos que chegam aos nossos olhos. Desta forma, quando estes estímulos se apresentam comprometidos, perde-se qualidade de vida e o indivíduo passa a acumular dificuldades que acarretarão em prejuízos futuros.

Distúrbio 

A Síndrome de Irlen é um tipo específico de distúrbio do processo perceptual que afeta de 12 a 14% da população. As pessoas que apresentam esta síndrome relatam que a luminosidade, o contraste, o ofuscamento, o tamanho da impressão, o trabalho e o esforço para compreensão contínua podem afetar negativamente o desempenho na leitura, como também interferir na realização de outras atividades visuais.

Pessoas com Síndrome de Irlen consomem mais energia durante a leitura e outras atividades visuais porque captam a informação visual de modo diferente das demais. Estratégias inconscientes são usadas na tentativa de controlar tais falhas de percepção.

Devido ao esforço no processamento das informações visuais, a leitura se torna mais lenta e segmentada, o que compromete a velocidade de cognição e a memorização, podendo produzir cansaço, inversões, trocas de palavras e perda de linhas no texto, desfocamento, sonolência, distúrbios visuais, dores de cabeça, irritabilidade, enjoo, distração e fotofobia, após um intervalo relativamente curto na leitura.

Além da leitura, a Síndrome de Irlen pode afetar outras áreas como cópia, escrita, cálculos matemáticos, soletramento e uso de computador. O excesso de energia durante a leitura pode afetar também a atenção, motivação, concentração e desempenho. 

A Síndrome de Irlen se divide em 5 subgrupos:

Sensibilidade à luz: intolerância à luz branca, fluorescente e a faróis, ocasionando ofuscamento. A luminosidade parece causar cansaço sensorial resultando em distorções, déficit de atenção e concentração; ansiedade, cansaço ou outros sintomas físicos.

Acomodação: páginas brancas ficam brilhantes e parecem competir com a impressão, anulando-a. Isso resulta em uma variedade de distorções, dificultando a leitura e causando desconforto.

Distorções: letras, palavras, números ou notas musicais perdem a clareza e a estabilidade. As distorções incluem vibração, pulsação, movimento ou borramento, mas não são restritas a tais sintomas; podendo afetar a compreensão da leitura.

Cognição restrita: incapacidade de ver letras, palavras, notas musicais ou números agrupados, podendo variar entre ver grupo de palavras ou perceber uma letra por vez. A cognição restrita pode afetar a capacidade de identificar letras corretamente, de manter a fixação e a velocidade de leitura.

Má percepção: há perda de claridade, estabilidade e dimensão dos objetos. As dificuldades podem afetar a percepção de profundidade e distância ou a capacidade de seguir objetos em movimento. As restrições podem causar problemas com degraus, escadas rolantes; na prática de esportes e na condução de veículos.

O teste para diagnóstico de Irlen não é um método de instrução de leitura ou um substituto ao uso de medicação ou do apoio multidisciplinar e sim, um método que irá eliminar certa barreira de aprendizagem, permitindo que o indivíduo progrida com intervenções e instruções apropriadas.

Para diagnosticar essa Síndrome, o teste inicial pode ser feito por educadores e/ou por profissionais da área de saúde capacitados. Após confirmado o diagnóstico no teste inicial, faz-se o teste completo especializado com oftalmologista especializado em Síndrome de Irlen.

Fiquem atentos, papais e mamães!

Até mais!

*Texto adaptado: Fundação H´Olhos

 ÂNGELA MÁRCIA MACHADO é pedagoga, psicopedagoga e especialista em Educação; proprietária da Educare Espaço Psicopedagógico e Acompanhamento Escolar e membro da equipe do Consultório Psicopedagógico, ambos em Palmas (TO). Atende ainda na Moderna Multiclínica, em Redenção  (PA). É mãe do Victor Gabriel, 16 anos e do Vinícius, 9. 

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