Nova colunista: "Juntei o amor do leite materno com o amor do complemento"


Por Gisele França 03.08.17 16h34 - atualizada 05.08.17 21h31
  • Nova colunista: "Juntei o amor do leite materno com o amor do complemento" Gisele e Liz: o amor alimenta (Registro de família)

Acredito que um dos momentos mais esperados da maternidade é dar de mamar para seu filho. Momento realmente mágico, único. Uma troca de sentimentos que só quem o faz entende.

Desde cedo aprendemos a importância do leite materno para a saúde e o desenvolvimento do bebê. O que aumenta ainda mais nossa responsabilidade. Uma vida em nossas vidas.

Mas, como na maternidade nem tudo são flores, amamentar também não é. Exige persistência, paciência, entrega e muita, muita força de vontade para não desistir. Pelo menos essa é a minha história. Aprendi muito com a amamentação. 

Primeira lição: dar de mamar não é só pegar o bebê e colocar no peito. Ledo engano. Existe a tal da pega correta. E aí que tá.  Até chegar a este ponto, que pode durar alguns dias você corre um grande risco de viver horas de dores.

Foi a primeira batalha que enfrentei. Machuquei muito meus seios. Chorei, sofri, questionei inúmeras vezes onde estava o "glamour" da amamentação. Torcia pra minha filha dormir mais para não chorar pedindo mamar, pensei várias vezes em desistir, mas algo mais forte me fazia resistir.  

Busquei apoio e encontrei um amparo sensacional das profissionais do Banco de Leite do Hospital Dona Regina, que merecem todo nosso respeito. Cheguei a sair de casa às três da madrugada para pedir ajuda porque não aguentava mais de dor. E em meio ao meu desespero, lá encontrei tranquilidade e muito carinho.

Vencemos a primeira batalha. Enfim, pude experimentar a magia de minha filha estar no meu seio sem sentir nenhuma dor. Conheci a magia da amamentação. 

Só que aí veio a segunda lição: não é você que comanda seu corpo. Mesmo enfrentando cada minuto de dor para alimentar minha filha, horas no peito, descobri que ela não estava ganhando peso. Meu leite não estava sendo suficiente. Um baque! Como assim? Seios imensos, inchados e com pouco leite? Pra mim não estava claro. Não conseguia entender.

Dessa vez o choro não era de dor. Era de decepção, de fraqueza, de impotência e inveja das mães que escorriam leite pelo bico dos seios. 

Fiz o que pude. Tomei medicamentos, recorri às simpatias populares, comi as "famosas" comidas que aumentam o leite (cuscuz de milho, canjica, etc) e nada deu certo. 

E ali, no meu mundinho, no meu silêncio e no auge do meu egoísmo, um pensamento me corroia por dentro: eu era um fracasso. Onde já se viu uma mãe sem leite!

Mas Deus foi maravilhoso e me mostrou a terceira e principal lição: a partir de hoje não existe mais você. Existe nós. E o que importava agora não era meu ego feminino frustrado. Era a saúde da minha filha. 

E com muito orgulho, durante três meses juntamos o amor do leite materno com o amor do complemento. Um ano depois, cá estou eu com minha pequena Liz. Uma menina sapeca, saudável e cheia de vida. 

Agora, na Semana Mundial do Aleitamento Materno, continuemos incentivando a importância do leite materno exclusivo até os seis meses. Só não sejamos tão cruéis com quem não pode fazê-lo. Nem sempre querer é poder.

GISELE FRANÇA, jornalista e mãe da Liz, 1 ano e 1 mês, é Mamãe de Primeira Viagem, nova colunista do Além das Fraldas.        

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