“Cheguei a pensar em desistir e agora já vamos completar quatro anos de amamentação”


Por Adriana Moraes 05.08.17 11h23 - atualizada 07.08.17 10h23
  • “Cheguei a pensar em desistir e agora já vamos completar quatro anos de amamentação” Adriana e Isadora: quatro anos de amamentação (Foto: Registro de Família)

Achava amamentar lindo, que seria super fácil e tranquilo, aquela história mesmo de ato de amor. A vida nos ensina que não é bem assim que tudo chega. Meu primeiro contato com a amamentação foi quando a Mariana nasceu. Prematura, com uma má-formação, mal saiu do meu útero, minha pequena foi para a  mesa de cirurgia.

Amor pela ponta dos dedos, leite abundante dado pela sonda. UTI, falência múltipla dos órgãos. O leite ficou comigo e Mariana desencarnou. Queria continuar a doar. Não consegui. Doía muito meu leite jorrando... Enfaixei os seios, tomei medicação e depois de alguns meses o leite secou e eu também.

Dez meses depois descubro que João Valentim, meu bebê arco-íris, estava a caminho e nasceu também prematuro. Nova temporada em uma UTI Neonatal. Muito medo. Fui conseguir amamentar mesmo depois de dez dias. Senti um misto de emoção e estranheza. Que força um bebê suga! Mas, pelo somatório de desinformação, má orientação, alergia alimentar e problemas de saúde que tive, com dois meses parei de amamentar. Doeu.

Pela terceira vez me vi nutriz. Isadora nasceu e dessa vez me informei e coloquei na cabeça que amamentaria. Não por aquela pressão que nós mães de UTI temos, como se o nosso leite tivesse o poder de salvar a vida de nossos bebês, mas porque eu queria e pronto. Foram 75 dias "amamentando" à ordenhadeira rs! Tirava leite de três em três horas, inclusive nas madrugadas (o que me rendeu uma cirurgia de tendinite). Bom que Isadora dividia seu leite com seus coleguinhas de UTI. Chorei de madrugada, pensei em desistir, mas estamos bem e mês que vem completamos quatro anos de amamentação.

Ouço muitas pessoas perguntando se ainda sai leite, se não tenho medo de ficar com o peito caído e que preciso deixar que ela cresça. Isadora e eu que vamos decidir isso. E meus seios? Estão muito bem, obrigada!

​ADRIANA MORAES É mãe  do anjo Mariana, mãe “regular” de João Valentim, 6 anos e mãe especial de Isadora, 3. É agrônoma e servidora pública.

 

 

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